segunda-feira, 2 de novembro de 2020

A falácia do franco-atirador

Antes de explicar o que é a falácia do franco-atirador, vamos começar explicando em que consistem as falácias. Na filosofia, e mais especificamente no campo da lógica, falácias são argumentos que inicialmente parecem válidos, mas que abrigam um viés que anula completamente o seu conteúdo. As falácias são usadas sobretudo em debates, em discussões… às vezes conscientemente e às vezes inconscientemente.

Neste artigo, vamos falar sobre uma falácia muito comum; a falácia do franco-atirador. Conheceremos a sua origem, em que consiste e como esse fenômeno modifica a forma de interpretar e selecionar informações, a fim de verificar as nossas ideias ou crenças. Além disso, veremos também exemplos a respeito para entender um pouco melhor essa falácia e algumas ideias para preveni-la (ou combatê-la).

Homem pensativo e preocupado

O que é a falácia do franco-atirador?

A falácia do franco-atirador é muito comum. Certas informações (sem um significado inicial) são interpretadas, inventadas ou manipuladas até que pareçam ter um significado ou até que cumpram nossa hipótese inicial. Ela também é conhecida como a falácia do atirador do Texas (em inglês, Texas Sharpshooter Fallacy).

Através desse fenômeno, é realizado um raciocínio que elimina qualquer indício sugestivo de que uma das nossas ideias esteja errada, enfatizando as informações que parecem apoiar a nossa hipótese. Dessa forma, por meio dessa falácia podemos chegar a distorcer a realidade e interpretá-la como nos convém, desfigurando o que se observa para aproximar o que queremos defender.

Origem

Para entendermos melhor o fenômeno da falácia do franco-atirador, vamos falar sobre a sua origem. O nome dessa falácia vem da seguinte história: um atirador disparou vários tiros aleatoriamente contra um celeiro. Depois, ele pintou um alvo em cada um deles para acabar se autoproclamando um franco-atirador.

Ou seja, após realizar sua ação, o franco-atirador tomou as medidas necessárias para que aquela ação tivesse lógica ou sentido, a fim de “vencer” ou se sentir “vitorioso”. Em outras palavras: ele alterou os dados (pintou os alvos) para confirmar a sua hipótese (ganhar).

Assim, de acordo com essa falácia, pegaríamos os dados observados, modificando-os, para confirmar as nossas hipóteses (assim como fez o franco-atirador na história).

Exemplos

Para continuar entendendo o fenômeno da falácia do franco-atirador, vamos pensar em um exemplo que poderíamos encontrar perfeitamente na nossa vida cotidiana.

Imaginemos que sonhamos com o número 7 e que, naquele dia, estivemos num hotel, no quarto 362 (que antes desconhecíamos). Se aplicarmos a falácia do franco-atirador aqui, diríamos que tivemos uma premonição no sonho, uma vez que 3+6-2 = 7, e 7 era o número com que sonhamos. Ou seja, manipulamos os dados para confirmar a nossa hipótese.

Outro exemplo dessa falácia é a interpretação das constelações estelares: tendemos a traçar uma sucessão de linhas imaginárias para ligar as estrelas e formar figuras, quando na realidade sua posição é determinada pelo acaso. Nesse caso, ignoraríamos os corpos celestes que poderiam distorcer a figura que estamos “procurando”.

Como selecionamos as informações?

Como vimos, através da falácia do franco-atirador, as pessoas podem desvalorizar informações que são inconsistentes com suas ideias, bem como manipular ou ajustar as informações para convencer alguém (ou a si mesmas) de algo. Além disso, por meio desse fenômeno, ampliamos a importância daquilo que pretendemos defender.

Outra forma de interpretar a falácia do franco-atirador, em termos de seleção de informações, é a seguinte: ignoramos as diferenças que podem existir em nossos dados e enfatizamos as semelhanças. Feito o raciocínio em questão, inferimos uma conclusão, que pode ser considerada falsa.

Ilusão de agrupamento e apofenia

O fenômeno da falácia do franco-atirador está relacionado ao que na psicologia cognitiva chamamos de ilusão de agrupamento. A ilusão de agrupamento é aquela tendência que temos de considerar (ou ver) padrões ou agrupamentos que, na verdade, não existem.

Por outro lado, essa falácia também tem a ver com outro conceito, a apofenia. Trata-se de um termo usado para se referir à experiência de ver padrões e conexões em eventos aleatórios ou sem sentido, algo muito semelhante ao anterior.

No entanto, é preciso notar que esses dois conceitos introduzidos podem ser interpretados a partir da psicologia cognitiva e da estatística, adquirindo nuances diferentes em cada disciplina. Desde a psicologia cognitiva, nós os relacionamos com a falácia do franco-atirador, porque através desta, podemos chegar a estabelecer padrões que realmente não existem, a fim de justificar ou demonstrar as nossas ideias ou para convencer os outros de (ou sobre) algo.

Tiro ao alvo

Como evitar a falácia do franco-atirador?

A falácia do franco-atirador, como muitas outras, nem sempre é usada conscientemente. Quer façamos isso conscientemente ou não, deixaremos aqui algumas ideias-chave para evitar o surgimento dessa falácia:

  • Procure argumentos contra: será importante não apenas buscar argumentos a favor das nossas hipóteses, mas também contra elas.
  • Evite estar sempre com a razão: isso nos ajudará a tentar demonstrar as nossas ideias de uma forma mais objetiva e lógica.

Com essas duas pequenas ações e, estando cientes do risco de cometer a falácia do franco-atirador, podemos minimizar o risco da sua aparição e discutir as nossas ideias com muito mais segurança. Mesmo assim, todos corremos o risco de cometê-la. Nesse sentido, também será importante saber como detectá-la nos outros!

“A lógica é raciocinar com critério.”
-Anônimo-

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3 ideias para superar a impaciência

A impaciência é um estado que beira a ansiedade de forma perigosa. O fato de que nos tornamos mais impacientes com o passar do tempo não é segredo para ninguém. A velocidade da vida moderna nos acostumou a tudo acontecer mais rápido, tornando-nos mais intolerantes com os tempos de espera.

Isso é realmente lamentável. Quase tudo que tem um verdadeiro valor e significado é construído ao longo do tempo. Via de regra, os resultados rápidos também são mais efêmeros e o relógio não pode avançar diante de realidades que exigem um processo próprio. Nessas condições, a impaciência acaba sendo autodestrutiva.

Em última análise, a impaciência é uma falta de sincronização emocional com o ritmo da realidade. Se não acontecer na velocidade que desejamos, não é um problema da realidade, mas sim uma consequência da nossa falta de adaptação. Mas então, como passar por aquela sensação incisiva de não conseguir esperar mais? A seguir, vamos compartilhar três conselhos.

 “A própria esperança deixa de ser felicidade quando é acompanhada pela impaciência.”
-John Ruskin-

Homem de cabeça baixa

1. Identificar a necessidade real

Raramente paramos para analisar o que realmente está por trás da impaciência. A princípio, pode simplesmente ser que a realidade vá a uma velocidade diferente daquela à qual estamos acostumados. Quando esse ritmo diminui, sentimos o contraste e isso nos incomoda a princípio. Se for esse o motivo, provavelmente o assimilaremos em breve.

Outras vezes, por trás da impaciência, há outra coisa. Se precisamos tanto que algo aconteça ou não aconteça, talvez seja porque não fomos capazes de lidar com o presente, com o que falta ou com o que sobra. É por isso que queremos fugir, e a impaciência é a expressão de não podermos fazê-lo.

Nesses casos, o problema não está no que acaba não chegando ou indo embora, mas na dificuldade de se adaptar a um presente que talvez não seja o mais agradável. No entanto, esse presente é o que existe, o que está aí. Antes de pensar em como nos livrarmos dele, talvez seja melhor refletir sobre como poderíamos encontrar um lugar dentro dessa realidade.

2. Desconstruir o desejo

Muitas vezes não está claro qual é o desejo por trás da impaciência. Na aparência, é simplesmente o desejo de sair de uma situação que implica sofrimento, carência ou desconforto. Ninguém quer ficar nesses estados por muito tempo, então a impaciência aparece quando não há mudança.

No entanto, algo semelhante ao que mencionamos antes acontece aqui. Não desejar a realidade que você vive não significa que a saída seja resistir, esperar que ela mude. O mais inteligente é trabalhar para mudar essa realidade, tanto quanto ela pode ser mudada no momento atual.

Para que as coisas aconteçam, não basta desejá-las. E para que não aconteçam, não basta resistir a elas. Em ambos os casos há um esforço estéril, mas é um esforço. Sempre temos alguma margem de ação, e é a essa margem que devemos nos agarrar para lidar com a impaciência.

Mulher preocupada e impaciente

3. Meditar, um antídoto para a impaciência

A meditação é uma prática que ajuda a acalmar a mente. Quando você atinge um estado mais calmo, também é mais fácil ouvir o que está acontecendo dentro de você e entendê-lo melhor. É mais fácil para você saber, por exemplo, se você deseja que algo aconteça ou pare de acontecer, ou melhor, escapar daquela parte de você que não encontrou uma maneira de lidar com isso.

A meditação não é a calma, mas é uma ferramenta para obter controle sobre a nossa velocidade mental. Ao fazer isso, ganharemos a capacidade de adaptação. Por outro lado, quando você se deixa levar pela impaciência, tudo se torna mais difícil. Na verdade, ser impaciente pode ser um fator que atrasa ou bloqueia o que você deseja.

A paciência, como tantas outras virtudes, não está incluída no pacote que trazemos ao mundo ao nascer. É um traço que deve ser cultivado e que só se instala dentro de nós com muita prática, por muito tempo. As situações difíceis são o terreno perfeito para trabalhar essa virtude.

Será de grande ajuda praticar exercícios de concentração e meditação. Também vai ajudar se você pensar a respeito da inutilidade da impaciência. “Não é porque você madrugou que vai amanhecer mais cedo”, diz um velho ditado popular. Isso é verdade. Tudo tem o seu ritmo, e isso muitas vezes independe dos nossos desejos e/ou necessidades.

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A desconexão moral e o perdão de si mesmo

O perdão de si mesmo pode se tornar um processo complexo. Isso possui muita relevância na vida privada e, também, na vida pública (principalmente dentro de coletivos em que há altos níveis de conflitos, ou mesmo guerras). A ausência do perdão de si mesmo leva a um bloqueio da vida emocional e das potencialidades vitais. Com frequência, este processo se torna muito difícil devido à ativação de um mecanismo conhecido como “desconexão moral”.

A desconexão moral age como uma espécie de véu, um borrão para a consciência. O que antes a pessoa não se permitia, agora ela enxerga como permissível. Trata-se de uma forma de autoengano que, por um lado, abre caminho para as atrocidades, em maior ou menor escala, e por outro, impede o perdão de si mesmo.

“O perdão diz tanto sobre o caráter da pessoa que o concede quanto sobre o da pessoa que o recebe”.
– Justin Cronin –

Mulher com o olhar perdido

A desconexão moral

Não nascemos com uma moral e ética definidas, vamos construindo-as e desenvolvendo-as em função da nossa sociedade e cultura. Assim, adquirimos alguns princípios e normas comportamentais que nos permitem responder às situações guiados por valores fundados sobre as nossas experiências. A função destes é preservar o bem-estar individual e coletivo.

No entanto, nem essa escala de valores e nem esses princípios são uma realidade permanente. Sob certas circunstâncias, essas coisas são suspensas. Quando há uma guerra, por exemplo, dar fim à vida de outro ser humano em favor do próprio lado pode ser permitido, embora fora desse tipo de conflito essa atitude não seja permitida.

Essa suspensão ou ruptura com os princípios e valores abre espaço para a desconexão moral. Voltando ao exemplo da guerra, matar ou enganar os outros deixam de ser condutas reprováveis porque, nessas circunstâncias, a moral e a ética anterior não mais se aplicam.

Os mecanismos da desconexão moral

De acordo com estudos sobre o tema, existem quatro maneiras da desconexão moral surgir. Todas elas têm a ver com uma mudança de perspectiva e justificam condutas que, de outra maneira, não seriam toleradas. Os quatro mecanismos da desconexão moral são os seguintes:

  • Difusão da responsabilidade. Ocorre quando um ato moralmente reprovável é realizado com o respaldo de um grupo. O fato dos outros agirem da mesma maneira, de algum modo, dilui a responsabilidade individual.
  • Deslocamento da responsabilidade. Acontece quando se transfere ao outro a responsabilidade pelos próprios atos. Quando se obedece a uma ordem, quando se evita uma punição ou quando se confia na exigência do outro, etc.
  • Minimização das consequências. Ocorre quando é atribuída validação ao dano infligido sobre o outro, no intuito de tornar lícito o que não é.
  • Vilificação da vítima. Corresponde aos casos em que justificam-se os danos com base em uma suposta falta de dignidade da pessoa sobre a qual se exerce uma ação imoral.

O perdão de si mesmo

O que a desconexão moral tem a ver com o perdão de si mesmo? A princípio, é impossível perdoar algo que não é reconhecido como um erro ou desajuste moral. Para que haja perdão de si mesmo, esses mecanismos de justificação e minimização precisam ser suspensos. Do contrário, é impossível.

O ponto é que, em muitos casos, o agressor, cedo ou tarde, volta a caminhar por um terreno moral em que a justiça e a razão predominam. É o que acontece, por exemplo, depois de uma guerra. Se isso acontece, é aberta uma espécie de vazio.

Tal vazio pode ser resolvido de diferentes maneiras. Por exemplo, quando as atitudes são negadas, ocultando a participação nelas ou adotando uma postura cínica. Também acontece do remorso se apoderar de alguém a ponto da pessoa optar pelo autoflagelo e pela autopunição.

Mulher apática

Perdoar para seguir em frente

Há conflitos após os quais a desconexão moral não tem como existir. O saudável nesses casos é criar as condições para que o perdão de si mesmo ocorra, seguido por um razoável ato de reparação.

Caso isso não aconteça, a pessoa ou se torna uma impostora ou fica paralisada pelo sentimento de culpa. Nem um, nem o outro resolvem a situação, mas a distorcem e implicam um desvio emocional de alto custo.

O perdão de si mesmo começa quando admitimos a responsabilidade pelas nossas ações, sem delongas. O que vem em seguida é reparar o dano, como for possível, material ou simbolicamente. O pedido de perdão ao outro é fundamental para curar. Só assim é possível fazer as pazes com o passado e seguir adiante.

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Tratamento de cervicalgia: princípios úteis para suas aulas

A dor cervical é um mal comum, especialmente em uma sociedade de sedentários com má postura. Por isso o tratamento de cervicalgia é importantíssimo para garantir o bem-estar e qualidade de vida dos nossos alunos.

A dor começa como um incômodo durante o trabalho, até que a pessoa tenta dar uma alongada, melhorar a postura, mas nada funciona. Com o tempo a dor evolui, torna-se limitante, deixa o trabalho insuportável, então a pessoa procura um médico e descobre alguma condição afetando a cervical. 

Se você trata de alunos com dor cervical com frequência nos responda: você sabe o que faz um bom tratamento? Caso a resposta seja não, recomendamos que continue lendo esse artigo! Separamos alguns princípios que te ajudarão a fornecer um tratamento de cervicalgia completo e com ótimos resultados para seus alunos.

Falaremos um pouco sobre as bases de sustentação que precisamos trabalhar, musculaturas e regiões que influenciam na dor. Quer aprender tudo isso e ainda um pouco a mais? Continue lendo.

Bases de sustentação para tratamento de cervicalgia

O corpo é um complexo organismo cheio de partes interdependentes. Percebemos isso através do comportamento das cadeias musculares e das fáscias, sempre que existe uma tensão ela se espalha pela cadeia e afeta outras regiões.

Falamos tudo isso para mostrar uma verdade simples, mas muito esquecida: nenhum problema fica isolado na região cervical.

Quando o aluno entra no seu Studio reclamando que está com dor você pode ter certeza que existem problemas relacionados e tensões espalhadas pelo corpo. Elas podem variar de caso para caso, mas estarão lá. 

Com tantas tensões e desequilíbrios espalhados fica a dúvida, o que trabalhar primeiro? É simples, começamos pelas bases e aos poucos vamos evoluindo.

Existem algumas regiões que servem de base de sustentação da coluna cervical. Sem elas seu tratamento falha porque o corpo é incapaz de sustentar os movimentos e manter a estabilidade e mobilidade da coluna. Elas são:

  • Primeira base: complexo da cintura escapular;
  • Segunda base: região do transverso do abdômen;
  • Base principal: glúteo e membros inferiores.

Precisamos trabalhar coxa, glúteo, escápula, abdômen, todas as bases para obter melhora no quadro.

Com o auxílio dessas regiões, a cervical do aluno estará bem sustentada e pronta para trabalhos isolados e específicos para cervical. Trabalhando as bases também conseguimos melhorar a postura, que está entre uma das grandes causadoras das dores cervicais.

Nossa recomendação é sempre evitar segmentar o corpo durante o tratamento de cervicalgia. Talvez seja necessário usar um ou outro exercício isolado para cervical, mas a maior parte da sessão não deve ser isolada. 

Estamos tratando uma pessoa, não uma coluna cervical sozinha. Prepare sua aula pensando na globalidade do corpo e não em um problema específico da coluna cervical, o que limitaria suas opções.

Musculaturas geralmente comprometidas nos casos

Cada caso que encontramos no Studio é único, apesar disso existem algumas musculaturas que costumam estar comprometidas na cervicalgia. Chamamos essas regiões de vilões visíveis e invisíveis, sendo os visíveis aqueles que quase todo mundo lembra.

Existe uma diferença em importância entre eles? Não, precisamos trabalhar tanto vilões invisíveis quanto visíveis no tratamento de cervicalgia. O que você precisa é não esquecer os vilões invisíveis e incluí-los no seu planejamento de aula.

Os vilões visíveis recebem mais foco durante o tratamento por estarem sempre mais evidentes nos pacientes com cervicalgia. O que quer dizer que raramente são esquecidos, mesmo assim vale à pena conferir alguns deles:

  • Trapézio superior, médio, inferior;
  • Masseter;
  • Musculatura do pescoço;
  • Cintura escapular.

Os vilões invisíveis costumam ser ignorados apesar do seu papel essencial no tratamento. Frequentemente as fáscias e musculaturas que vou mencionar são ignoradas completamente em nossos pacientes. 

Sabemos que esquecer de trabalhar uma região desequilibrada é a melhor maneira de errar no tratamento ou deixar que a dor retorne mais tarde. Por isso é importante relembrar essas áreas e ainda mais importante trabalhá-las em aula.

Fáscia Craniana

Um paciente com cervicalgia terá diversos pontos de tensão localizados no crânio, o mesmo acontece em pacientes com enxaqueca e até sinusite. 

A maioria são pontos gatilhos latentes, fazendo com que sejam difíceis de identificar e tratar. Mesmo assim eles estão lá e muito tensionados, causando praticamente o mesmo problema que um ponto gatilho ativo.

Ao começar o trabalho com um paciente com cervicalgia busque cuidadosamente os pontos espalhados pela fáscia craniana. Depois realize uma boa liberação miofascial e o que for necessário para liberar esses pontos de tensão. 

Está com dificuldades de encontrar os pontos? Realize um teste simples buscando com as mãos ao longo da fáscia e perceba as regiões que estão mais tensas.

Pode até fazer esse teste em você mesmo caso sofra de dores cervicais, apalpe a fáscia craniana e perceba a tensão. É nessas regiões que encontrará os pontos gatilhos que precisam de liberação.

Globo Ocular

Os antigos falam que os olhos são a porta da alma. Talvez eles não consigam te levar até a alma do seu paciente, mas são entradas sensoriais importantes para seu corpo. 

Problemas relacionados a eles causam dificuldades em outras partes do corpo e a coluna sofre em especial. Mesmo que muitas vezes esquecemos que os olhos influenciam muito a postura e, lembrem, a postura influencia nas dores cervicais.

Alguns alunos possuem algum tipo de desvio no olhar, o que força uma adaptação da cabeça. Ele inclina a cabeça para o lado, corrigindo o desnível e melhorando sua visão. Mas essa é uma solução temporária que a longo prazo só piora a situação do aluno. Com o tempo a cervical começa a sofrer pela compensação e desenvolve dores.

Fique muito atento a características do olhar do seu aluno. Eventualmente você identificará um problema que é impossível de corrigir somente com o movimento. 

Nesse caso encaminhe o aluno para um oftalmologista que te ajudará a corrigir o desvio no olhar. Após a correção conseguiremos consertar os desequilíbrios causados pela compensação e realizar o tratamento de cervicalgia.

Referência visual nos exercícios

O globo ocular será importante para a realização de qualquer movimento. Ele é interligado à região cervical em especial graças à uma conexão de músculos e fáscias. 

Duvida do quê estamos falando? Faça o teste abaixo para ver como o olhar muda completamente um movimento.

  1. Olhe para um ponto fixo à sua frente;
  2. Comece a movimentar a cabeça para cima e para baixo, mova os olhos na mesma direção do movimento;
  3. Continue a mover sua cabeça para cima e para baixo, mas agora mova os olhos na direção oposta do movimento.

Ficou desconfortável com a última parte do teste? O olhar direciona os movimentos do corpo, por isso é tão importante orientar o aluno sobre sua direção nos exercícios. Esse é o referencial de movimento de seus alunos.

Falando em referencial, temos outro caso um pouco complicado de problemas relacionados ao olhar: alunos com óculos. 

O ideal é que esses alunos mantenham o acessório durante a aula inteira para evitar mudar o referencial. Só peça para seu aluno retirar os óculos quando existir risco de caírem ou de danificar o acessório.

Outra possibilidade é pedir que o aluno adote o uso de lentes de contato para a aula.

Peitoral Menor

O peitoral menor costuma estar ligado a tratamentos de dores nos ombros, ele é um dos responsáveis pela rotação dessa articulação. Também devemos lembrar que pacientes com cervicalgia costumam apresentar tensão no peitoral menor.

A tensão se espalha, levando a ainda mais tensão na região do trapézio, músculos Psoas, diafragma e, claro, cervical. Com o peitoral menor tensionado os movimentos da cintura escapular inteira ficam prejudicados.

Esses vilões invisíveis são importantíssimos no tratamento de cervicalgia e te ajudam a resolver o problema de maneira definitiva. 

Deveremos trabalhá-los juntamente aos vilões invisíveis e de preferência usando exercícios globais. Todas as regiões do corpo estão interligadas e deverão ser corrigidas para um bom tratamento.

Como a Escápula influencia no tratamento de cervicalgia

Acabamos de mencionar o peitoral menor e sua influência na coluna cervical. Assim como o peitoral menor, a escápula geralmente recebe mais atenção nos tratamentos de ombro, apesar de estar bastante relacionada com a cervical. Essa relação está mais presente quando pensamos no serrátil, que influencia muito o tratamento de dor cervical.

O serrátil é um excelente estabilizador de ombro que mantém as escápulas no gradil costal. Se estiver funcionando bem teremos movimentos eficientes da articulação do ombro e das escápulas. Mas quando ele estiver enfraquecido teremos movimentos de ombro prejudicados e tensões espalhadas para a coluna cervical.

Agora lembre-se que o serrátil não é o único estabilizador do ombro, ele trabalha juntamente ao oblíquo interno e externo. O melhor é realizar um trabalho de serrátil e oblíquos para fazer com que a sustentação da cintura escapular seja mais forte e, consequentemente, a cervical fique também mais estabilizada.

Diagnóstico através do conhecimento de dermátomos e miótomos

Muita gente viu dermátomos e miótomos pela última vez na faculdade de fisioterapia ou em algum artigo científico que estava lendo. Eles costumam estar distantes da prática, tão distantes que é comum esquecer deles completamente. Mesmo assim podemos usá-los no diagnóstico de pacientes com cervicalgia e facilitar o tratamento.

Miótomos estão relacionados à região motora, já dermátomos estão relacionados  região sensitiva. Dependendo do caso do nosso aluno ele terá alguns sintomas diferentes como formigamento em algumas partes do corpo ou dificuldade em alguns movimentos.

Analisando esses sintomas conseguimos entender qual região da coluna cervical está mais comprometida ou lesionada. 

Veja abaixo essa relação até a altura de C8, já que é até ela que vamos com a enervação para casos de cervicalgia.

  • Região de C1: flexão cervical superior (movimento do aceno com a cabeça);
  • Região de C2: extensão cervical superior (musculatura profunda), região occipital;
  • Região de C3: flexão lateral da coluna, fasce lateral do pescoço;
  • Região de C4: elevação da cintura escapular, região da clavícula e levantador da escápula e trapézio;
  • Região de C5: abdução do ombro e rotação externa, região do dermátomo: deltóide lateral e região ântero lateral do braço;
  • Região de C6: flexão de cotovelo e extensão do punho. Fasce lateral do braço até o polegar;
  • Região de C7: extensão do cotovelo e flexão do punho. Fasce posterior do braço e antebraço até o dedo médio;
  • Região de C8: extensão do polegar desvionar. Metade distal do antebraço até a borda do dedinho.

Conclusão

O tratamento de cervicalgia é mais complexo do que alguns de nós pensam. A cervical não é uma região isolada do corpo, na verdade ela está muito conectada com suas bases e musculaturas da cintura escapular. 

Se quisermos um tratamento que funcione e livre o aluno da dor definitivamente precisaremos lembrar disso.

Dá para resumir o sucesso de um tratamento para dor cervical a uso eficiente de exercícios globais. Trabalhar todo o corpo de maneira inteligente nos ajuda a trabalhar a coluna cervical melhor, fortalecendo e reabilitando a região.

Gostou dessas dicas para um bom tratamento de cervicalgia? Aproveite para se inscrever na Newsletter do Blog Pilates e receber atualizações direto no seu e-mail. E caso tenha ficado alguma dúvida, comente aqui embaixo!

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domingo, 1 de novembro de 2020

Como desenvolver uma personalidade mais atrativa e carismática

É possível ter uma personalidade mais atrativa e carismática? Claramente ninguém pode dar um giro de 180° em sua forma de ser para se transformar em alguém completamente diferente. Entretanto, dimensões como o carisma e a habilidade de influenciar os demais podem ser treinadas e despertadas para agir como a luz de um farol para guiar e inspirar outras pessoas.

A recentemente falecida escritora P. D. James dizia que há pessoas com um encanto genuíno. E isso que tanto embeleza e chama a atenção tem um segredo: a autenticidade, o emergir diretamente do coração e sem falsidade alguma. Portanto, um dos segredos para desfrutar dessa “cola social”, desse detalhe que atrai olhares e inspira, é fazer uso da sinceridade.

O que é forçado cria distância. O que parte da falsidade é rapidamente percebido. De fato, as pessoas possuem um detector quase infalível para identificar o sorriso falso, a atitude ensaiada que busca atrair a atenção de forma declarada. Todos estes são pontos que devemos evitar caso desejemos desenvolver uma personalidade mais atrativa.

Porque as personalidades atrativas existem e têm pouco a ver com a beleza física. Na realidade, não há nada mais atraente que uma pessoa que confia em si mesma, que transmite positividade e uma simplicidade amável que permite às pessoas confiar desde o primeiro minuto. Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

Como ter uma personalidade mais atrativa

 Segredos para desenvolver uma personalidade mais atrativa e carismática

O que realmente é uma personalidade carismática? Esta é, certamente, a primeira pergunta que podemos fazer. Quando falamos de carisma, nos referimos basicamente a uma habilidade social.É a capacidade de atrair, impactar os demais e fazer isso de forma natural, mas com acerto (e encanto) suficiente para não deixar ninguém indiferente (nem perceber).

Algo assim nos permite, por exemplo, melhorar profissionalmente. Isso sem falar nas relações sociais, já que o carisma nos permite agregar à nossa personalidade aquele toque de entusiasmo positivo com o qual conversamos melhor com as pessoas. Desse modo, deixamos nos demais a impressão de emoções positivas que tanto melhoram a comunicação, o tratamento, o poder para chegar a acordos, etc.

Se nos perguntarmos se já nascemos sendo carismáticos ou se essa habilidade pode ser treinada, a resposta é clara: todos nós podemos aprender a ser carismáticos. As estratégias para desenvolver uma personalidade mais atrativa e carismática não são tão complexas nem desconhecidas.

Embora seja absolutamente verdade que, há mais de um século, o filósofo e psicólogo Max Weber descreveria o carisma como um dom sobrenatural, hoje essa ideia mudou. John Antonakis, da Universidade de Lausanne (Suíça), já investigava este tema há mais de uma década. Seu trabalho de pesquisa de 2011, Can Charisma Be Taught? Tests of Two Interventions, é uma das melhores referências.

Vamos descobrir agora quais áreas devemos trabalhar.

Entusiasmo e comunicação assertiva

As pessoas que amam o que fazem sempre atraem. De alguma forma, o entusiasmo se relaciona com essa ideia, com sentir paixão pela vida, pelas pessoas, por aquilo em que se acredita. Essa energia positiva envolta em motivação é um dos melhores segredos para desenvolver uma personalidade mais atrativa e carismática.

Ao entusiasmo adiciona-se outra competência primordial: a comunicação assertiva. Não estamos procurando aquela bondade excessiva que muitas vezes enjoa. Também não é necessário ser engraçado, abusar em excesso do humor e da piada para despertar sorrisos nos demais. O que queremos é demonstrar carisma e o carisma contém, em si, segurança pessoal.

É por isso que devemos desenvolver uma comunicação assertiva adequada: falar com segurança, respeito e sabendo defender os próprios direitos.

Confiança em si mesmo (mas combinada com simplicidade)

Às vezes, a confiança excessiva em si mesmo pode ser interpretada pelos outros como um traço característico de soberba. É preciso dominar muito bem esta dimensão para não cair no excesso ou no narcisismo.

A finalidade é desenvolver uma personalidade mais atrativa e carismática, mas a partir de um ponto de vista saudável, respeitoso e sempre humilde. É assim que se alcança o verdadeiro encanto: com autoconfiança e simplicidade.

Saber escutar e saber olhar

A personalidade atrativa e carismática não se distingue apenas por seus dotes comunicativos. Algo que a define é saber escutar e compreender a arte do olhar. O que queremos dizer com isso?

  • Quem sabe escutar faz seu interlocutor se sentir confortável. Também consegue fazer com que esta pessoa se sinta validada, aceita e com a sensação de que aquilo que ela está dizendo é importante e interessante.
  • Por outro lado, é essencial manter sempre o contato visual. E não somente isso. Devemos tentar “sorrir” com o olhar.

Para desenvolver uma personalidade mais atrativa e mais carismática, é preciso ter inteligência emocional

A personalidade atrativa, que marca e não é esquecida, é mestre em inteligência emocional. É assim porque, em primeiro lugar, sabe regular bem seu humor para mostrar serenidade, positivismo e uma atitude de proximidade. Nada disso seria possível se a pessoa ficasse presa em suas frustrações, ansiedades e medos.

Por outro lado, a pessoa carismática é uma grande entendedora de três componentes específicos da inteligência emocional: a empatia, as habilidades sociais e a conexão. Para deixar sua marca em alguém, é preciso chegar até seu coração, e é para isso que a comunicação empática, o saber reconhecer as emoções no outro e a capacidade de transmitir confiança servem.

Mulher segura e autoconfiante

Não tema mostrar sua vulnerabilidade

As pessoas que se esforçam em se mostrar fortes, resistentes e tremendamente eficazes não costumam despertar muita proximidade. Quem busca ser invulnerável se afasta do que é próprio do ser humano, que são nossas essências e emoções. Portanto, para desenvolver uma personalidade mais atrativa e carismática não devemos ter medo de mostrar a nossa vulnerabilidade.

Isso nos faz ser mais autênticos. Não é necessário aparentar ser algo que não somos. Por um lado fica o medo de errar, de cair e fracassar. A pessoa carismática é isso e muito mais. É alguém que faz da sua humanidade seu padrão e o reveste de encanto, de proximidade e de uma atitude sempre positiva.

Não é tão difícil treinar e despertar essa habilidade social. Está dentro do alcance de todos tentar criar um impacto naqueles que nos cercam para deixar uma marca em seu coração.

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Diferenças entre o Alzheimer e o Parkinson

Você sabe quais são as diferenças entre o Alzheimer e o Parkinson? Em primeiro lugar, devemos dizer que ambas essas doenças constituem duas das causas de demência. Especificamente, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a demência devido ao Alzheimer representa de 60 a 70% de todos os casos de demência.

No entanto, é importante ter em mente que são duas doenças muito diferentes. Além disso, deve ficar claro que ter qualquer uma dessas condições nem sempre leva ao desenvolvimento de demência (embora isso ocorra na maioria dos casos). Nesse sentido, sabemos que entre 20 a 60% das pessoas com doença de Parkinson acabam desenvolvendo demência.

Em um estudo de Buter et al. (2008), publicado na revista Neurology, do qual participaram 233 pacientes com a doença de Parkinson, observou-se que cerca de 60% deles desenvolveram demência por Parkinson em um período de 12 anos.

Mas o que é a demência? Esse conceito se refere ao conjunto de sintomas que surgem como consequência de um dano ou doença neurológica. Esses sintomas envolvem a perda ou o enfraquecimento das faculdades mentais e afetam principalmente três áreas diferentes: a área cognitiva (perda de memória ou alterações no raciocínio), a área comportamental (alterações no comportamento) e a área da personalidade (mudanças na personalidade, irritabilidade, labilidade emocional, entre outras coisas).

“Não há nada que seja um sinal mais claro de demência do que fazer algo repetidamente e esperar que os resultados sejam diferentes”.
-Albert Einstein-

Senhora idosa com Alzheimer

Diferenças entre o Alzheimer e o Parkinson

Vamos agrupar as diferenças entre ambas as doenças em blocos diferentes e explicar em que consiste cada uma delas. Todas elas foram extraídas de dois manuais de referência em psicopatologia: Belloch, Sandín e Ramos (2010) e o DSM-5 (APA, 2014).

O primeiro bloco de diferenças entre o Alzheimer e o Parkinson refere-se aos seus tipos de sintomas, que são os seguintes:

Sintomas cognitivos

Uma das principais diferenças entre essas duas doenças está relacionada à maneira como elas afetam a área cognitiva. No caso do Parkinson, há falhas na recuperação de dados (memória), enquanto no Alzheimer, as falhas ocorrem previamente no processo de memória (codificação de dados). Além disso, a memória e a atenção são mais afetadas no Alzheimer do que no Parkinson.

Sintomas motores

No caso do Parkinson, surge o chamado parkinsonismo, uma síndrome clínica caracterizada pelos seguintes sintomas: rigidez, tremor, bradicinesia (lentificação dos movimentos) e instabilidade postural. Em contraste, no Alzheimer é muito raro o aparecimento de parkinsonismo.

Por outro lado, a rigidez e a bradicinesia aparecem com muita frequência no Parkinson, enquanto no Alzheimer esses sintomas aparecem apenas ocasionalmente. Finalmente, o tremor é um sintoma típico no Parkinson, mas raro no Alzheimer.

Sintomas psicóticos e outros

Além dos sintomas que já mencionamos, podem aparecer outros sintomas em ambas as doenças. Por exemplo, na doença de Alzheimer, o delirium aparece ocasionalmente, enquanto na doença de Parkinson ele praticamente não aparece. É importante lembrar que o delirium é um transtorno de causa orgânica que afeta principalmente a consciência e a atenção.

Em relação aos sintomas psicóticos, podem aparecer alucinações visuais em ambas as doenças, mais ou menos na mesma proporção. Também podem aparecer delírios, sendo frequentes no Alzheimer e ocasionais no Parkinson.

Sintomas patológicos

Outra diferença entre o Alzheimer e o Parkinson está relacionada ao cérebro (substâncias, neurotransmissores e estruturas atípicas). Por exemplo, enquanto as placas senis aparecem tipicamente no Alzheimer (depósitos extracelulares de moléculas na substância cinzenta do cérebro), no Parkinson elas raramente aparecem.

O mesmo ocorre com outras estruturas, como os emaranhados neurofibrilares, que aparecem muito no Alzheimer, mas bem raramente no Parkinson.

Por outro lado, os corpos de Lewy surgem com mais frequência no Parkinson do que no Alzheimer. Quando se trata de neurotransmissores, sabemos que a deficiência de acetilcolina ocorre frequentemente no cérebro de pessoas com Alzheimer, mas apenas ocasionalmente em pessoas com Parkinson.

Por fim, no Parkinson há um déficit de dopamina, algo que não ocorre no Alzheimer.

Idade de início

A idade de início também é diferente. O Parkinson geralmente aparece entre os 50 e 60 anos, surgindo antes do Alzheimer, que costuma aparecer a partir dos 65 anos.

Prevalência

A prevalência da demência por Alzheimer é maior que a da demência por Parkinson. De acordo com o DSM-5 (2014), ela é de 6,4% na Europa.

Pessoa com doença de Parkinson

Tipo de demência

Finalmente, a demência aparece mais cedo no Alzheimer do que no Parkinson.

Quanto ao tipo de demência, no Alzheimer ela é cortical (implica o envolvimento do córtex cerebral), enquanto no Parkinson é subcortical (envolve as áreas subcorticais do cérebro).

Nesse sentido, cabe ressaltar que as demências corticais geralmente carregam sintomas cognitivos, enquanto as demências subcorticais carregam sintomas motores. No entanto, ambos os tipos de sintomas podem ser combinados em maior ou menor grau.

Vale lembrar que as demências corticais incluem o Alzheimer, a demência frontotemporal, a demência de Creuzfeldt-Jacob e a demência de corpos de Lewy, enquanto as demências subcorticais incluem o Parkinson, a doença de Huntington e a demência por HIV, principalmente.

“O Alzheimer apaga a memória, não os sentimentos”.
-Pascual Maragall-

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Tudo dá errado para mim. O que acontece comigo?

Às vezes, chega um momento em que você acaba se perguntando: “O que há de errado comigo? Tudo dá errado pra mim!” É verdade que todos passamos por fases complicadas, por períodos em que parece que vivemos tropeçando, vários erros acontecem, decepções amargas e sonhos que voam para longe de um dia para o outro. Porém, ninguém pode negar que esses momentos nos afundam, ferem e desmotivam.

Agora… o que geralmente está por trás dessas experiências? De repente, perceber que todas as áreas da nossa existência estão em crise (trabalho, amor, projetos pessoais, etc.) nos faz pensar se há algum gatilho que orquestrou esse azar. A culpa é da nossa própria atitude? É o contexto atual?

Quando passamos por esses tipos de espirais em que não vemos a luz em lugar nenhum, é melhor parar. Além do mais, não estamos apenas falando sobre desacelerar e tirar alguns dias de folga. Também devemos parar com o ruído mental, os pensamentos que não param de girar e alimentam ainda mais as preocupações. Dar uma pausa ao corpo e à mente nos permite analisar o que aconteceu e recomeçar.

Mulher em pedra na beira do mar

Tudo dá errado para mim: o que está acontecendo?

Ciclos de negatividade existem e são comuns. Referimo-nos àqueles estágios em que o fracasso está vinculado ao infortúnio. Uma decepção com uma mentira. Estes são dias em que um erro é seguido pela decepção e pela aceitação relutante de que algo que pensávamos que iria acontecer não vai mais acontecer. O mais comum, porém, é que esses ciclos sejam breves e, em pouco tempo, a nossa atitude e circunstâncias externas melhorem.

Agora, o mais perigoso desses estágios é ficar preso neles. Geralmente isso acontece quando alimentamos a situação com pensamentos do tipo “Por que tudo acontece comigo? Por que o mundo está me tratando tão mal? Há algo de errado comigo que faz as coisas darem tão errado para mim?”

Quase sem perceber, entramos em um estado de desamparo no qual supomos que nada do que fizermos mudará a nossa situação adversa.

Quais podem ser as causas?

Existe má sorte? Nós não sabemos. Não há evidências científicas disso e, portanto, devemos buscar causas objetivas e concretas. Se esclarecermos os gatilhos que podem estar por trás de cada evento negativo, obteremos um maior senso de controle, e isso é sempre bom.

Então, vamos conhecer as possíveis explicações:

  • O fenômeno da filtragem. Nesse primeiro caso, estaríamos diante de uma distorção cognitiva. Trata-se de uma abordagem mental que nos faz aplicar um viés muito específico: o da negatividade. A pessoa olha apenas para o que está acontecendo de errado, só presta atenção nos erros, só percebe o adverso e não consegue ver mais nada além disso. Esses óculos obscuros nunca veem ou percebem o que está indo bem, o que acontece de forma positiva.
  • Pessimismo aprendido. Existem pessoas que caminham pela vida pensando que tudo está indo contra elas. Pesa sobre eles um pessimismo crônico que, muitas vezes, tem sua origem na educação, em pais que lhes transmitiram que o mundo é um lugar ruim, que não se pode confiar nas pessoas, que coisas boas nunca acontecem…
  • Baixa autoestima. Esta dimensão não é um estado que se atinge de um dia para o outro e permanece por toda a vida. A autoestima pode enfraquecer, variar com o tempo e com as experiências. Portanto, se em algum momento nos pegarmos nos perguntando por que tudo está dando errado, talvez seja a hora de nos perguntarmos como está o nosso autoconceito, amor próprio, autoestima…
  • Depressão encoberta. Os transtornos do humor, como ansiedade ou depressão, agem como um véu que obscurece tudo. Assim, a ideia de que tudo dá errado para nós, de que por mais que tentemos, nada sairá como o esperado, pode ser, às vezes, a manifestação de uma depressão. Um estudo realizado na Universidade de Massachusetts pela Dra. Paula Pietro indica que esses tipos de pensamentos são uma constante na mente depressiva.
  • Tempos difíceis, resultados variáveis. Não podemos descartar um fator óbvio: o contexto que nos rodeia. Em tempos difíceis, muitas coisas podem começar a falhar, é verdade. No entanto, é preciso entender que são situações passageiras: o azar não dura para sempre.
Homem pensativo diante de janela

O que posso fazer se estiver em um momento em que tudo dá errado para mim?

Em um momento em que tudo dá errado para mim, a última coisa que tenho que fazer é continuar como se nada tivesse acontecido, tentando alcançar objetivos ou aspectos que já são causas perdidas. Idealmente, considere os seguintes pontos para refletir sobre o assunto:

  • O que está fazendo as coisas darem errado? São aspectos que dependem de mim? Ou o fato de que algumas coisas aconteceram está além do meu controle? A primeira coisa que farei é reservar um tempo, farei uma pausa para refletir sobre o que aconteceu e esclarecer o que motivou essa concatenação de eventos negativos.
  • Devo aceitar que existem aspectos que estão realmente além do meu controle, que não dependem de mim. Há momentos difíceis, em que certas coisas não nos fazem bem. Eu as assumo e, dentro dessa complexidade atual, procuro tomar novas decisões.
  • Também é necessário que eu me atente para a qualidade dos meus pensamentos. Estou aplicando um filtro negativo à minha realidade? Eu me concentro excessivamente apenas no que está dando errado?
  • Indago as minhas emoções. O que estou sentindo? Há quanto tempo sinto essa frustração ou apatia? Talvez o fato de tudo dar errado esteja enraizado no meu estado de espírito. Posso precisar de ajuda, e esta é a área real na qual devo focar a minha atenção.

Finalmente, quando passamos por aqueles momentos em que muitos aspectos da nossa vida tomam rumos um tanto adversos, é sempre apropriado, como já dissemos, dar a nós mesmos algum tempo. Em seguida, pode ser a hora de fazer mudanças, independentemente do quão pequenas elas sejam. Às vezes, qualquer mudança atua como um gatilho poderoso, algo esperançoso. Vamos pensar sobre isso.

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Como a Yoga Transforma Nossa Vida

  Acredito que cada pessoa, incluindo você, gostara de  viver um pouco menos estressado (a) , não é mesmo? Este é um desejo bastante comum. ...