sexta-feira, 2 de outubro de 2020

O Que é Trikonasana e Quais Seus Benefícios?

O significa ao pé da letra é Triângulo triangular. Ásana – Pose; em sânscrito: त्रिकोणासन; escrito como – trih-koh-nah-sah-nah

Este asana é como um triângulo. O nome vem da palavra sânscrita त्रिकोण (tricone), que significa triângulo, e आसन (asana), que quer dizer atitude.

Este asana é conhecido por esticar os músculos e melhorar as funções corporais normais. Ao contrário da maioria dos outros asanas da ioga, é preciso que você mantenha os olhos abertos enquanto pratica para manter o equilíbrio.

O que você precisa saber antes de praticar um asana

Como com outros asanas de yoga, é necessário que o estômago e os intestinos estejam vazios quando se pratica asanas.

Certifique-se de que haja pelo menos quatro ou seis horas entre a alimentação e a prática. Isso lhe dará tempo suficiente para digerir os alimentos e gerar energia para o exercício.

As manhãs também são excelente para a prática do yoga. Porém, se você não pode praticar ioga pela manhã, a noite também é um bom momento.

Características

  • Nível: Iniciantes
  • Estilo: Vinyasa
  • Duração: 30 segundos
  • Repete: 3-5 em cada perna…
  • Forças: tornozelos, coxas, joelhos…
  • Alongamento: tornozelos, virilha, coxas, ombros, joelhos, quadris, panturrilhas, cordas cervicais, peito e coluna vertebral.
asana

Como fazer Trikonasana

  • Fique de pé e abra suas pernas a cerca de um metro de distância, aproximadamente.
  • Certifique-se de que seu pé direito esteja em um ângulo de 90 graus para fora e seu pé esquerdo esteja em um ângulo de 15 graus.
  • Alinhar o centro do calcanhar direito com o centro do arco do pé esquerdo.
  • Lembre-se de que seus pés estão descansando no chão e seu peso está uniformemente distribuído sobre ambos.
  • Respire fundo e, ao exalar, dobre seu corpo para a direita de seus quadris inferiores, certificando-se de que sua cintura esteja reta. Levante sua mão esquerda e deixe sua mão direita tocar o chão. Ambos os braços devem formar uma linha reta.
  • Dependendo de seu nível de conforto, coloque sua mão direita sobre a perna, tornozelo ou pé direito no chão. Onde quer que você coloque sua mão, tenha cuidado para não desalinhar os quadris de sua cintura. Verifique rapidamente sua mão esquerda. Deve ser esticado em direção ao teto e alinhado com o ombro superior. Deixar a cabeça em uma posição neutra ou virá-la para a esquerda com os olhos fixos na mão esquerda.
  • O corpo deve ser dobrado para os lados e não para frente ou para trás. O peito e a pélvis precisam estar bem abertos.
  • Estique-se o máximo possível e concentre-se na estabilização de seu corpo. Respire fundo e profundamente. Procure relaxar ainda mais seu corpo a cada exalação.
  • Inspire e levante-se. Relaxe suas mãos sobre o quadril e endireite seus pés.
  • Repita com sua perna esquerda.

Vantagens do Trikonasana

Veja as incríveis qualidades do Trikonasana.

  • Ele fortalece os joelhos, tornozelos, pernas, peito e ombros.
  • Estica completamente e abre a virilha, quadris, tendões, assim como o peito, as costas e os ombros.
  • Eleva a estabilidade física e mental.
  • Melhora a digestão e estimula todos os órgãos abdominais.
  • Ajuda a diminuir a dor nas costas e a dor ciática. Também serve como terapia para pés chatos, osteoporose, dores no pescoço e infertilidade.
  • Reduz o estresse e cura a ansiedade.

Recomendações Para Iniciantes

Aqui estão algumas dicas úteis que você pode usar como um iniciante.

Para iniciantes, pode ser uma ótima ideia travar a parte de trás do calcanhar ou a parte de trás da parte superior do corpo contra a parede para manter uma postura estável.

Garanta que suas costas estejam perfeitamente retas durante as asanas.

E torça seu corpo, não o torça ao longo de seus quadris.

Existe Uma Ciência Neste Asana

Este asana faz você perceber o quanto suas pernas são graciosas e poderosas. Quando você se sente conectado à metade inferior do seu corpo, Trikonasana pode reacender sua fé nas maravilhas da “parte inferior”.

Este asana incentiva a expansão, a estabilidade e a igualdade. Estes são os três princípios físicos da hatha yoga.

Como muitos outros, é uma combinação de diversos elementos. Ele inspira força e estabilidade nas pernas e pés além de expandir o tronco. Quando os braços e pernas são estendidos, a igualdade (a mesma) é criada no corpo.

Ao equilibrar as pernas, braços e parte superior do corpo, o cérebro se torna autônomo e estável. Quando o cérebro se estende até a borda do corpo e volta sua atenção para dentro, a verdadeira experiência de yoga, ou unificação, inicia.

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Como abrir um Studio de Pilates em Portugal? Minha experiência em meio à pandemia do Covid-19

Montar um Studio de Pilates não é uma coisa simples, afinal, exige uma análise de mercado completa, um espaço adequado e bem localizado, ajuste de aspectos legais e burocráticos, escolha de equipamentos, capacitação profissional, investimento e o principal, muito planejamento e organização. 

Mas, e quando a ideia é empreender fora do seu país de origem? A situação fica mais complicada, porque além das objeções envolvendo o negócio, nós precisamos enfrentar sentimentos e dificuldades naturais de estar em um outro “habitat”. 

Minha experiência ainda teve um ônus, se já não bastasse os dois dilemas citados acima, eu tive também que lidar com a pandemia do Covid-19. Consegue imaginar toda a situação?

Por isso, se você tem o desejo de abrir um Studio de Pilates em Portugal, tenho certeza que este texto vai te ajudar. Leia agora para entender os principais pontos necessários e descobrir se esse cenário é o ideal para você através do meu relato de experiência!

Minha trajetória ao abrir um Studio de Pilates em Portugal

Cheguei à Europa em janeiro de 2020 e vim com o pensamento fixo: vou abrir um Studio de Pilates em Portugal

Primeiro pesquisei se no lugar onde iria morar existiam outros Studios. E para minha surpresa, apesar da existência, todos trabalhavam apenas com o Pilates solo (sem aparelhos). 

Logo iniciei um Business Plan, plano empresarial que especifica em linguagem escrita tudo o que um negócio precisa para iniciar, a fim de saber se minhas economias eram suficientes para realizar esse sonho de  abrir um Studio de Pilates em Portugal.

Então vamos às contas: aluguel do estabelecimento, água, luz, telefone, internet, reforma do espaço, aparelhos de Pilates, móveis, licenças, etc, etc e etc. Neste momento, quando colocamos tudo na ponta do lápis, ficamos um tanto desanimados, mas a vontade de realizar um sonho é mais forte. Então “vamos a isso, pah”, como dizem os portugueses.

 A chegada da pandemia do vírus Covid-19

Todas as contas feitas, é hora de procurar um espaço e iniciar as obras! Mas espera, o governo anunciou que vamos iniciar uma pandemia e teremos um período de quarentena. 

A cabeça fica a mil, será um bom momento para abrir um Studio de Pilates em Portugal? Quanto tempo isso irá durar? Não sei, mas decidi esperar um pouco.

O mês de fevereiro se passou e  mesmo assim, eu não iria conseguir abrir o Studio, pois além de não poder alugar um espaço, também não seria possível tirar as licenças porque os órgãos públicos estavam fechados. 

Sem contar que as empresas de móveis e aparelhos de Pilates estavam com uma data de entrega de aproximadamente 2 meses. Ou seja, não existia outra saída, tive que postergar mais um pouco.

A chegada do mês de maio trouxe novas expectativas. Com a situação aparentemente melhor e mais controlada, eu reiniciei as buscas e finalmente me arrisquei a comprar os equipamentos.

Só pude avançar para a próxima etapa e fechar contrato com o espaço ideal em Julho, pois até então, os órgãos públicos continuavam sem atender. 

O início das obras

Desde do início, eu já sabia que meu orçamento não seria o suficiente para gastar muito nas obras, portanto, a solução que eu encontrei foi colocar a mão na massa e contar com ajuda dos familiares e amigos. 

Iniciamos as pinturas, instalação de luminárias e outras decorações. Mas, como tudo que havia sido comprado pela internet e precisava ser entregue, os pisos laminados e os móveis estavam atrasados. E a justificativa? Pandemia do Covid-19.

Muitas ligações, visitas à lojas, paciência, dedicação e ajuda de amigos foram necessárias para que a etapa de obras fosse concluída. 

Licença para abertura do Studio de Pilates

Como todas as outras etapas, a emissão da licença do espaço também não foi uma tarefa fácil. Tentei diversas vezes ligar para agendar uma reunião no órgão público responsável, mas sem sucesso. 

Portanto, minha dica para você que também deseja abrir um Studio de Pilates em Portugal é encontrar uma empresa que te ajude neste processo, afinal, foi assim que eu consegui a licença. 

E mesmo com este apoio empresarial, a liberação da licença não foi tão rápida, eu a recebi somente no dia 7 de agosto.

E finalmente, consegui abrir um Studio de Pilates em Portugal

Depois de quase 8 meses de planejamento, o sonho se tornou realidade no dia 17 de agosto de 2020! Felizmente estava tudo pronto e lindo, até melhor do que eu havia idealizado. 

A inauguração foi feita cumprindo todas as determinações impostas pelo Departamento Geral de Saúde de Portugal, com apenas alguns amigos e parceiros comerciais. 

Como você pode ver, a minha trajetória para abrir um Studio de Pilates em Portugal não foi muito simples, tive que lidar com muitos imprevistos provocados pela pandemia. Por isso, na tentativa de facilitar para quem também têm o mesmo desejo que o meu, listei abaixo algumas dicas. Confira!

Como regularizar a situação para atuar como instrutor de Pilates em Portugal?

Agora, vejamos quais procedimentos você deve realizar para regularizar sua situação e não só poder atuar como instrutor, mas também abrir seu próprio Studio de Pilates

Passo 1: Autenticação dos documentos

O primeiro passo que você precisa realizar é feito ainda no Brasil, ter seu diploma e histórico escolar autenticados pelo apostilamento de Haia. Esse processo pode ser realizado por cartórios autorizados e seu custo não é muito barato (paguei cerca de R$300 por cada documento apostilado). 

Outro documento que você deve ter em mãos é uma descrição de todas as matérias que cursou, com livros e referências bibliográficas utilizadas durante a graduação. Esse documento possui muitas páginas, entretanto, não é necessário ser feito o apostilamento, você vai precisar apenas de uma cópia simples para enviar. 

Após ter seus documentos devidamente apostilados, você precisará de uma cédula profissional. Para isso, será necessário solicitar a equivalência de graduação, comprovando que seu curso é válido em Portugal. Veja como isso acontece.

Passo 2: Equivalência de curso superior

Para solicitar a equivalência de curso superior, você deve acessar o site da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e escolher a faculdade que deseja que seja feita a validação.

No momento em que preenche o formulário online, você terá que escolher em qual universidade portuguesa pretende fazer a equivalência. Assim, é importante analisar anteriormente o currículo desta universidade para conferir se ele se assemelha com o seu do Brasil, pois o pedido pode ser negado ou exigir que você faça alguma outra matéria da grade curricular. 

Meu conselho é fugir dos cursos da faculdade de Porto, Algarve e Lisboa, porque essas possuem um tipo de ensino totalmente prático desde o primeiro ano de faculdade e as matérias básicas que temos no Brasil, como biologia e bioquímica, recebem outros nomes. Sugiro os cursos dos Politécnicos onde o currículo é mais próximo ao brasileiro.

No próprio formulário você anexará seu diploma, histórico escolar, ementas e o que mais a universidade solicitar. Feita a solicitação online, a universidade portuguesa irá entrar em contato para averiguar os documentos e cobrar o valor do processo – que atualmente gira em torno de 500 a 700 euros.

Fique atento, a equivalência pode ser rejeita e caso isso aconteça, infelizmente, você terá que realizar todo o processo novamente, inclusive a parte do pagamento da taxa. 

Passo 3: Cédula profissional

Para a obtenção da cédula profissional você deve ter sua equivalência de curso aprovada e visto válido para trabalhar ou estudar em Portugal. 

Com esses documentos em mãos, basta acessar ao site da ACSS (Ministério da Saúde) e se cadastrar (o custo é de em média  90 euros).

Tendo sua cédula em mãos, você já estará apto a atuar como instrutor e poderá abrir um Studio de Pilates em Portugal.

Como abrir a empresa e conseguir o alvará de funcionamento?

Para abrir uma empresa em Portugal o processo é bem simples! Você pode dirigir-se à uma loja do cidadão, que atua como o nosso Poupa Tempo no Brasil, e fazer a abertura da empresa na hora. É necessário estar com o seu passaporte, a cédula profissional, escolher o nome e pagar a taxa relativa ao serviço ( 240,00).

A licença comercial para saúde também não é muito complicada de ser emitida. Após ter a declaração da abertura da empresa em mãos, você deve se cadastrar no site da ERS (Entidade Reguladora da Saúde) e pagar a respectiva taxa ( 1.000,00). 

Onde comprar os equipamento de Pilates?

Existem algumas empresas que vendem equipamentos de Pilates em Portugal, mas a maioria são empresas de fora – até mesmo do Brasil. E foi por essa opção que optei, por considerar mais confiável e já saber que as molas e a madeira são de boa qualidade. 

Normalmente, as empresas dão garantia e suporte técnico, basta se atentar na hora da compra.

Há também algumas empresas na Espanha que vendem os aparelhos, contudo, apesar de serem um pouco mais baratos, elas não dão esse suporte. Vale sempre pesquisar e ver os pormenores, até porque, sabemos que às vezes o barato sai caro. 

Conclusão

Antes de tomar uma grande decisão, coloque tudo o que você considera importante na balança. 

Planejamento é fundamental, mas não deixe que imprevistos (no meu caso a pandemia) te impeça de realizar seu sonho!

Espero que o relato da minha experiência e as dicas que mencionei possam te incentivar e ajudar neste processo de abrir um Studio de Pilates em Portugal. E boa sorte!

Ficou com alguma dúvida? Tem alguma informação adicional? Comente abaixo! 

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O canto da calma: um lugar essencial

O canto da calma é um espaço de aprendizagem e crescimento emocional ao alcance de todos. Crianças e adultos sofrem frustrações e altos e baixos emocionais que colocam à prova sua capacidade de regulação emocional, dando espaço para comportamentos pouco adaptados – descontrolados ou muito inibidos. Este canto é uma valiosa ferramenta para encontrar a calma em momentos de necessidade.

A autorregulação emocional é uma habilidade adquirida enquanto crescemos, mas requer um aprendizado constante. Por isso, neste artigo queremos falar a respeito de como construir e utilizar um canto da calma, assim como seus enormes benefícios a nível emocional.

Encontrar a calma

O que é o canto da calma?

O canto da calma é um espaço pessoal de introspecção. É comumente utilizado na psicologia infantil. No entanto, cada vez mais os adultos também têm incorporado essa ideia em seus lares.

A regulação emocional é a capacidade de governar nossos comportamentos – tanto mentais quanto factuais – a favor do nosso interesse. Ela é possível porque possuímos meios e ferramentas para influenciar nossas emoções: não somos necessariamente executores de suas ordens.

As dificuldades da regulação emocional se manifestam por meio de mudanças bruscas de humor, acessos de raiva e dificuldades para controlar os estados emocionais.

Em crianças, é comum que estas dificuldades se manifestem por meio de acessos de birra frequentes e intensos, assim como uma baixa tolerância à frustração. Estas birras são parte dos estados normais do desenvolvimento infantil que tendem a se estabilizar após os quatro anos de idade, quando o desenvolvimento do córtex pré-frontal ocorre.

A regulação emocional envolve reconhecer as próprias emoções, bem como os eventos que tornaram seu surgimento possível, para agir em consonância. O canto da calma proporciona um tempo e espaço próprios que facilitam uma reflexão emocional cujo requisito básico é a presença simbólica da calma.

Como construir um canto da calma?

Existem muitas possibilidades para construir um canto da calma e o único requisito é que ele possua elementos que proporcionem tranquilidade para quem for utilizá-lo. Deixamos aqui algumas ideias para ajudar:

  • Escolha um espaço fixo, preferencialmente isolado, como uma cabana improvisada, por exemplo;
  • Sinalize o lugar de calma e coloque algumas instruções sobre a sua utilização de forma visível e clara, caso seja destinado a crianças.
  • Introduza elementos que tornem o local acolhedor, como almofadas, tapetes, cobertas, desenhos de paisagens tranquilas, etc.
  • Organize o lugar com materiais que proporcionem tranquilidade, como um “pote de calma”, mandalas para colorir, bolinhas anti-estresse para praticar o relaxamento progressivo, balão para praticar respiração, dispositivo de música, etc. Use a sua criatividade!
  • Ofereça elementos para trabalhar os acessos de raiva das crianças, como jornais para rasgar, materiais de desenho para representar o “monstro da raiva”, etc.
Menino meditando

Como utilizar um canto da calma?

Um ponto especialmente importante para conseguir tirar proveito do canto da calma é fazer uma apresentação adequada e expor de forma clara suas normas de utilização.

Na inauguração do canto da calma, anuncie em quais momentos sua utilização pode ser benéfica. Da mesma forma, ressalte a ideia de que este não é um lugar que implica nenhuma obrigatoriedade nem restrição de uso. Se não fizermos dessa forma, este local especial pode acabar se tornando um espaço de castigo, como na técnica de “tempo para pensar“.

Algumas das situações nas quais o canto da calma pode ser especialmente benéfico são as seguintes:

  • Gerenciamento de emoções intensas como a raiva, para retornar a um estado de equilíbrio;
  • Evitar prejudicar a si mesmo e os outros;
  • Resolução de conflitos variados;
  • Necessidade de solitude;
  • Expressão da tristeza ou outras emoções com privacidade;
  • Buscar um espaço privado com outra pessoa;
  • Iniciação na meditação;
  • Descanso e desfrute.

Um refúgio para regular as emoções

O canto da calma é um refúgio para as emoções que tanto adultos quanto crianças podem utilizar. É fácil de construir e se baseia em estabelecer uma relação positiva consigo mesmo, indo contra sua utilização como um espaço de castigo.

A regulação emocional é uma habilidade superior que adquirimos em nossos primeiros anos de vida, mas ela precisa ser treinada constantemente para alcançar um maior autoconhecimento. Sem esse gerenciamento, as pessoas ficam à mercê de emoções que não as guiam, apenas transbordam.

O canto da calma também não é um espaço de repressão das emoções. Muito pelo contrário, é uma ferramenta para reconhecê-las, para identificar por que acompanham a pessoa naquele momento, podendo voltar a um estado inicial. Assim, evita-se sofrer uma explosão emocional que pode levar à impulsividade em vez da reflexão sobre as emoções vividas.

Esse espaço de tranquilidade é um refúgio físico que, na verdade, é um elemento simbólico para a conexão com o seu reflexo interno. Na verdade, o canto da calma está no seu interior. Você só precisa entrar em contato com ele.

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O sentimento de culpa e a sua relação com a ansiedade

O sentimento de culpa é uma realidade bastante comum nos processos de ansiedade. É um estado em que a mente tira conclusões bastante prejudiciais e até mesmo erradas a respeito de si mesma. A pessoa carrega nos ombros fatos pelos quais não têm responsabilidade, ou as situações são distorcidas até gerar “pesos de consciência” que aumentam ainda mais o sofrimento.

“Eu errei e agora estou piorando a situação”, “Tenho certeza de que magoei essa pessoa com meu comportamento”, “Estou decepcionando minha família, decepcionando meu parceiro, meus filhos”, “Minha mãe está doente por minha culpa…” Poderíamos dar mais exemplos. No entanto, a maioria das frases sempre segue essa mesma linha e, na realidade, a pessoa não é culpada de nada.

Ela é vítima dessa visão de túnel em que a ansiedade tem absolutamente todo o controle. Desse modo, algo bastante comum é que vejam o próprio transtorno de ansiedade ou os ataques de pânico como se houvesse algo de errado com elas, uma anomalia que as sufoca e que está completamente fora do seu controle. Como posso me causar tanto sofrimento? O que há de errado comigo?

Sentimento de culpa, de estar decepcionando ou magoando as pessoas próximas… Esse tipo de pensamento acaba alimentando ainda mais o círculo vicioso da própria ansiedade. Se também adicionarmos fatores como a autoexigência ou o pensamento obsessivo, teremos como resultado uma bomba-relógio para a saúde mental.

Vamos entender um pouco mais sobre essas situações.

Homem arrependido

Sentimento de culpa: um efeito da própria ansiedade

Existe um sentimento de culpa lógico e um sentimento de culpa irracional. O primeiro está ligado a fatos concretos em que é justificável experimentar sofrimentos e pesos de consciência; tudo isso por ter causado sofrimento a outras pessoas ou por ser responsável por atos com graves consequências. O segundo, a culpa irracional, é o efeito da ansiedade e até de outros tipos de transtornos psicológicos.

No caso dessa emoção e da sua ligação com a ansiedade, é comum que esteja associada àqueles processos em que a pessoa se pune por determinadas coisas, por senti-las e até mesmo por pensar nelas.

O simples fato de estar ciente do viés mental negativo, de uma mente que está presa ao medo ou à incerteza, faz emergir a sombra da culpa. Perceber que não conseguem controlar isso e que o seu comportamento causa preocupação para os outros intensifica ainda mais esse sentimento desconfortável e destrutivo.

Sentimento de culpa e vergonha na ansiedade

Estes dados são interessantes. De acordo com uma pesquisa publicada na revista PLOS ONE e realizada na Universidade de Karolinska, na Suécia, muitas vezes os transtornos de ansiedade estão relacionados a sentimentos de culpa e também de vergonha. É claro que são duas realidades distintas, mas ambas se expressam nessas situações sob um gatilho comum: a incapacidade de se controlar e o desconforto que isso gera.

A culpa implica sentir-se mal por algo que foi feito, dito ou experimentado. A vergonha, por outro lado, é mais prejudicial em pessoas com ansiedade ou com outro tipo de transtorno: é se sentir mal por quem se é como pessoa. É se subestimar e, por sua vez, se culpar por todas as circunstâncias.

A janela da mente

Como controlar essas emoções associadas à ansiedade?

O mecanismo para acalmar, desemaranhar e apaziguar o sentimento de culpa, ou mesmo o de vergonha, obviamente percorre um único caminho: focar no gatilho que os intensifica e os molda, ou seja, na própria ansiedade.

Nessas situações, a terapia cognitivo-comportamental ou mesmo a terapia de aceitação e compromisso são úteis e eficazes na maioria dos casos.

No entanto, saber como lidar com emoções tão complexas quanto a culpa sempre é importante. Portanto, vamos nos aprofundar em alguns aspectos que poderão nos ajudar:

  • A culpa é um mecanismo por meio do qual fazemos um julgamento moral a respeito do nosso comportamento, sentimentos ou pensamentos. Presumimos que há algo errado conosco. Nesse caso, devemos entender um detalhe: a ansiedade não é um defeito ou algo que deva nos diminuir como pessoas. É uma condição psicológica que podemos e devemos administrar, comprometendo-nos com nós mesmos.
  • Deixe de agir como um juiz. Se nos punirmos com esse sentimento constante de culpa, a ansiedade aumentará ainda mais. É hora de nos tratarmos com gentileza. Portanto, aspectos como o reforço da autoestima, ganho de autoconfiança e assertividade podem nos ajudar.
  • A culpa se alimenta da preocupação. Quanto mais alimentamos as nossas preocupações e esses pensamentos obsessivos e muitas vezes irracionais, mais o sentimento de culpa cresce. Precisamos diminuir o volume da preocupação, concentrando a nossa mente em outras tarefas, em atividades gratificantes.

Para concluir, como dizia Oscar Wilde, um dos piores pesadelos da vida é sofrer pelas próprias culpas. Libertemo-nos desse fardo que, em muitos casos, alimenta processos ansiosos.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O que é a memória olfativa e como ela funciona?

Você já comprou um produto e seu cheiro o levou de volta à infância? Você já comprou um biscoito que cheirava como o da vovó? Tudo isso está relacionado ao que chamamos de memória olfativa. É o tipo mais primário de memória e tem uma grande conexão com as nossas emoções. Estamos falando de um poder que as grandes marcas conhecem bem e que usam para nos motivar a comprar seus produtos.

É importante esclarecer que sentido do olfato é um sistema químico. Portanto, é responsável por detectar os produtos químicos que geram aromas no ambiente. Esse processamento é essencial para a sobrevivência, pois nos ajuda a detectar substâncias que podem se tornar perigosas para as nossas vidas, como alimentos estragados.

É também um dos sentidos mais eficazes. Isso acontece porque ele entra mais diretamente nas estruturas cerebrais que processam as suas informações. Para completar o processo de assimilação de odores, algumas etapas devem ser seguidas:

  • As moléculas de odor, que flutuam no ar, chegam às narinas através das membranas mucosas. Estas se dissolvem em moléculas para que possam ser capturadas.
  • Abaixo da mucosa, existe uma camada chamada epitélio olfativoEssa estrutura possui neurônios receptores, especializados na detecção de odores.
  • Os neurônios são responsáveis ​​por enviar informações ao bulbo olfatório, estrutura do cérebro que fica logo atrás do nariz.
  • O bulbo apresenta receptores sensoriais, que enviam mensagens para as estruturas do sistema límbico. Este sistema é responsável pelo processamento da informação emocional e ajuda a consolidar as memórias. Ele também envia informações para o córtex dorsal, o que ajuda a modificar os pensamentos conscientes.

Portanto, as estruturas finais por onde as informações chegam são aquelas que ajudam no desenvolvimento da memória olfativa. Com ela, podemos relacionar cheiros e memórias, favorecendo o processo de evocação e reconhecimento de múltiplos aspectos do nosso cotidiano.

Mulher sentindo aroma de flor

Sistema límbico e memória olfativa

Como sabemos, o sistema límbico é essencial para a consolidação das informações relacionadas à memória olfativa. Este sistema é composto por estruturas como a amígdala, tálamo, giro do cíngulo, entre outras. Está ligada a respostas involuntárias ou instintivas, também auxilia no processamento de informações emocionais e dota os estímulos dessa característica.

Na dotação da emoção, a amígdala é aquela que ocupa o centro do palco, uma vez que é imediatamente ativada por uma percepção olfativa. Isso pode conceder uma emoção a um aroma ou despertar memórias com ele. Tudo isso envolve processos da memória olfativa, como a consolidação de novas informações ou a evocação ou manutenção das mesmas.

Este sistema é um dos mais antigos do cérebro e é responsável por ações menos racionais. Isso significa que as informações que se consolidam na memória olfativa podem incentivar certas decisões sem passar pelo filtro da reflexão.

Processo cognitivo envolvido na memória olfativa

Como sabemos, o que percebemos pelo cheiro não é filtrado racionalmente com facilidade. Mesmo assim, tem impacto nos aspectos emocionais e sociais. Vários são os processos que ocorrem no cérebro para ajudar a consolidar as informações da memória olfativa, entre eles:

  • Percepção. Consiste em capturar o aroma externo para identificá-lo e diferenciá-lo dos demais. O resultado será uma representação mental do aroma, que estará relacionado a um significado.
  • Sensação. Aqui, é realizada uma interpretação subjetiva e representação desse aroma. Na maioria dos casos, nós a classificamos como agradável ou desagradável. A concepção desta classificação tem uma estreita relação com as próprias variáveis ​​individuais, sociais e culturais.
  • Emoção. Na memória olfativa, esse aspecto desempenha um grande papel. Como vimos anteriormente, é processado principalmente pelo nosso cérebro emocional. Portanto, costuma ser o aspecto mais relevante desse tipo de memória. Em muitas ocasiões, podemos evocar emoções com muito mais facilidade do que com outros tipos de memória.
  • Associações. Nesse caso, a emoção tende a ganhar destaque, mas aqui há a presença do pensamento consciente. Portanto, associações de elementos e situações específicas são feitas com os aromas, e ao longo do tempo essa memória pode ser evocada voluntariamente.
  • Armazenamento. Está relacionada à memória de longo prazo, que é o caso da maioria das informações olfativas. Esse processo geralmente é influenciado pelo contexto e pelas características pessoais.
Mulher cheirando roupa lavada

O marketing do cheiro

Esta é uma das novas abordagens do marketing. Nele, o aroma e a memória olfativa ocupam o centro das atenções dentro de um negócio. Geralmente é usado para promover e vender um determinado produto. O objetivo é promover ou favorecer certas emoções que podem motivar o consumo.

Portanto, esse tipo de marketing utiliza um dos sentidos que mais influencia a decisão de compra, o olfato. Isso se deve ao seu poder impulsionador da ação. Para cumprir seu objetivo, eles desenvolvem um logotipo olfativo. Através disso, será possível ajudar a fixar na memória a lembrança de uma determinada marca.

É importante que o logotipo evoque sentimentos, valores, emoções e memórias. Da mesma forma, deve ser suficientemente reconhecível e distinguível de outros tipos de aromas, principalmente de outras marcas que são concorrentes diretas. Além disso, o logotipo ganha mais valor quanto maior for o seu poder de evocar memórias positivas.

Em resumo, podemos entender que a memória olfativa, por meio do seu canal de comunicação direto com nossos centros de decisão, desempenha um papel importante em nossas vidas. Esta comunicação direta é conhecida pelas grandes empresas, que não hesitam em explorá-la sabendo que é uma das opções para despertar a nossa fome de consumo diante de uma tomada de decisão racional.

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Gritar e pedir que não gritem com você

Você tem todo o direito de pedir que não gritem com você. A única condição prévia para exigir isso é que você não grite com os demais, já que do contrário não faz sentido exigir essa demanda. Não é raro ver pessoas que respondem com um grito ou outro no meio de uma discussão, aumentando o volume da conversa para chamar a atenção.

A maioria acaba discutindo com pessoas irracionais e descontroladas. É um grande desafio, principalmente quando esse alguém é um chefe, colega de trabalho ou até mesmo um parceiro. O maior desafio está em não permitir que a pessoa faça você ser mal educado como ela, mas sabemos que isso não é nada fácil.

Gritos são sinais muito difíceis de derrotar, pois são ofensivos e facilmente perturbadores. Para pedir que não gritem com você, o segredo está exatamente em aprender a reagir diante desse tipo de agressão. Da mesma forma, se você faz parte do “grupo dos gritões”, terá pouca autoridade para exigir que os demais não façam o mesmo com você.

“Os homens gritam para não se ouvir”.
– Miguel de Unamuno –

Casal gritando

Gritar como forma de expressão

Gritar é um ato que não tem nenhuma utilidade além de intimidar ou expressar raiva. A raiva é o principal motor dos gritos. Por outro lado, essa forma de manifestação demonstra pouco controle.

Há muitos lugares comuns e frases feitas que tentam justificar os gritos. “Grito porque você não me escuta”, dizem algumas pessoas. “Parece que você só entende quando eu grito!”, dizem outras. Como estas, há muitas outras fórmulas estereotipadas da linguagem que tentam dar explicações racionais para o ato irracional de gritar.

Os gritos só indicam que há instabilidade emocional na pessoa que sobe o volume de sua voz.  A pessoa grita porque quer demonstrar ser mais forte do que é e tenta exercer domínio sobre a situação. No entanto, o que ela acaba demonstrando é que não tem controle suficiente nem sobre si mesma.

As razões pelas quais as pessoas gritam

As pessoas também gritam quando se sentem assustadas ou encurraladas, e acabam atacando para se defender. A ameaça pode ser real ou imaginária. Muitas vezes, ela só existe porque as inseguranças determinam isso. Quando a pessoa é muito dependente da aprovação alheia, ou muito sensível à crítica, por exemplo, qualquer gesto pode ser interpretado como uma agressão potencial da qual deve se defender.

Outras pessoas gritam pela simples força do hábito. Por exemplo: quem foi educado aos gritos internaliza esse ato como uma forma de comunicação “normal” em sua vida. Então, ao se deparar com qualquer decepção ou frustração, acaba gritando para expressar sua desorientação ou desconforto.

Por outro lado, há pessoas que desenvolvem tendências agressivas, seja por um temperamento mal canalizado, ou porque cruzam com situações que as estressam. Nestes casos, não somente utilizarão os gritos como um mecanismo cotidiano, como também terão episódios regulares de hostilidade e acessos de raiva.

Homem tendo acesso de raiva

Pedir que não gritem com você

Frequentemente, quem levanta o tom de voz recebe exatamente o mesmo em troca. Assim, podemos perceber claramente a inutilidade dos gritos: de fato, não só sua inutilidade, mas também seu efeito altamente nocivo sobre a comunicação e as reflexões humanas. Pedir que não gritem com você é um direito, então conquiste-o e defenda-o. Para fazer isso, você precisa dar o primeiro passo.

Frequentemente observamos uma regra de conduta na qual, em relações de poder, o superior aparentemente tem o direito de gritar, mas quem está sob seu domínio, não. Isso é visto entre pais e filhos, professores e alunos, chefes e funcionários, e inclusive em relacionamentos construídos sob esquemas de poder assimétricos.

É em cenários como esses, nos quais há um poder vertical e severo, que o padrão de gritar e pedir para não gritar é visto mais frequentemente. A mãe grita com seu filho, mas considera uma falta de respeito receber o mesmo tom de voz como resposta. Alega-se que existe uma hierarquia e que esta deve ser respeitada, o que é verdade, mas a pessoa acaba deixando de lado o fato de que a autoridade nasce da coerência e do exemplo, não da agressividade.

A mãe, o professor, o chefe ou o parceiro podem sair gritando à vontade. Acabam intimidando ou inibindo o outro, mas também semeiam a falta de respeito nas relações. Quem diz uma coisa e faz outra não gera respeito. Ou seja, quem está descontrolado e pede controle é contraditório. Os gritos não contribuem com nada e, embora todos nós já tenhamos caído na tentação de aumentar o volume da nossa voz em algum momento, fazer isso vai continuar sendo um erro.

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Desmontando o amor romântico da Disney

O amor romântico da Disney e as suas histórias cruzaram fronteiras. Muitos de nós crescemos ouvindo histórias, assistindo a filmes de desenho animado e sonhando em ser um dos personagens da indústria mítica. Na infância, somos como esponjas. Tudo o que vemos, ouvimos ou sentimos chama a nossa atenção. O mundo é um playground que tem o poder de se atualizar constantemente. Exagerando um pouco, poderíamos até falar da realidade como uma extensão do mundo da Disney.

Neste artigo, veremos mais de perto algumas das mensagens que esses clássicos projetam. Questões que talvez, ainda hoje, assistindo a um determinado filme ou lendo uma história, permaneçam invisíveis aos nossos olhos porque continuamos indo até elas como crianças em busca de aventura. No entanto, se algumas situações fossem movidas para outro contexto, gerariam uma certa polêmica.

Cinderela

A figura da mulher em Cinderela e Branca de Neve

Cinderela e Branca de Neve são duas das histórias da Disney que melhor sobreviveram ao passar do tempo. Nelas encontramos semelhanças razoáveis. Por exemplo, as protagonistas são duas mulheres cujo objetivo é limpar a casa, fazer comida e servir aos outros.

Elas também são duas mulheres que são “salvas” de sua vida triste por um príncipe encantado. No caso da Cinderela, ela vai calçar um sapato que perdeu na festa, a mesma à qual a Fada Madrinha permitiu que ela fosse. No caso da Branca de Neve, ela se apaixonará por um príncipe. Isso acontece depois dele a salvar de um feitiço imposto pela bruxa má.

É claro que, em ambos os casos, depois de serem “as pobrezinhas” e serem salvas por eles, elas vão viver num belo castelo. Em sua mudança radical de vida, elas também deixarão para trás as tarefas de casa, como cozinhar ou limpar.

Por que é preciso ter cuidado com essas histórias? Nesse caso, uma garota pode entender que para progredir na vida ela precisa que um príncipe venha salvá-la. Enquanto isso, de alguma forma, ela pode se sentir condenada a atender às demandas dos outros – a menos que uma fada madrinha pareça capaz de lhe proporcionar uma noite mágica que a liberte da sua sentença.

Cada pessoa, homem ou mulher, pode prosperar por si só. Você não precisa de ninguém para mudar a sua sorte ou o rumo da sua vida. Pode parecer simples e até lógico de entender, mas em certas idades pode ser muito perigoso que essa ideia seja estabelecida como um modelo a ser seguido.

O amor romântico da Disney em A Bela e a Fera

A Bela e a Fera é outro dos clássicos favoritos da Disney. Um fenômeno que fez com que a história fosse contada repetidamente em diferentes formatos. No entanto, apesar das variações, existem mensagens perigosas que sobreviveram à maioria das “mudanças” que foram feitas na história.

Quantas vezes rimos com o famoso Lumière, aquele castiçal francês engraçado? No entanto, se olharmos mais de perto, o que ele está fazendo com o espanador não é assédio?

O desenvolvimento da trama pode trazer um toque de humor. Porém, ao olharmos bem no fundo, o que pensaríamos se essa forma de agir chegasse às crianças? Por outro lado, a protagonista se chama Bela, um paradoxo se pensarmos que se trata de uma história que tenta transmitir a mensagem de que “a beleza está do lado de dentro”.

O mesmo acontece com a própria história da “Bela” e da “Fera”. Nós deixaríamos nossas filhas assistirem a uma história em que a mocinha seria sequestrada, mal tratada e trancada em um quarto “por ter ido aonde não foi convidada”? É claro que, depois, eles passam um dia perfeito brincando na neve e ela acaba se apaixonando pelo sequestrador.

A Pequena Sereia, outro exemplo do amor romântico retratado pela Disney

A Pequena Sereia é mais um dos clássicos da Disney que, infelizmente, projeta mensagens que questionaríamos hoje. Ariel não sabe o que quer fazer com a sua vida, mas não pensa em si mesma, apenas no príncipe. Ela quer ter pernas e deixar de ser uma sereia, e ela deseja isso não porque quer ser humana, mas porque quer ficar com o príncipe.

Identificamos outra mensagem preocupante quando Úrsula, a malvada da história, tira a voz da Ariel porque “os homens querem que as mulheres fiquem caladas”. Felizmente, hoje sabemos que esse desejo não é verdadeiro nem é obrigação das mulheres satisfazer os desejos dos homens.

Peter Pan

Em algum momento, quase todo mundo já quis se mudar para A Terra do Nunca com Peter Pan. Agora, além desse desejo, vamos pensar na imagem que Sininho e Wendy projetam. Os dois personagens podem ser um exemplo de que é “bom” ter comportamentos de ciúme: significa que você “luta pelo homem que deseja”.

O ciúme não é desejado por ninguém; no final, tudo que ele causa é sofrimento. No entanto, a dinâmica da história parece nos dizer o contrário: sentir ciúme pode ser positivo.

Assim, o que há de perigoso nessa história é a projeção positiva e, portanto, enganosa que ela faz do ciúme. Pelo contrário, seria bom criar histórias nas quais esteja presente que a intensidade do ciúme não está associada a mais ou menos amor, mas a mais ou menos sofrimento por parte de quem o vivencia.

Peter Pan

A Disney vai se adaptando aos novos tempos

Quando os títulos citados foram escritos, os tempos eram outros. A Disney, em grande medida, apenas se limitou a atuar como um espelho de certas dinâmicas sociais que poucos questionavam, e por isso seu foco estava no amor romântico idealizado na época.

Felizmente, a figura da mulher que a Disney representava em algumas dessas histórias mudou, assim como as preocupações sociais. O primeiro exemplo claro dessa transformação, pelo menos na intenção, pôde ser visto no lançamento de Mulan, uma jovem que não se enquadrava no fator comum de que falamos até agora: além de ser capaz de salvar a si mesma, ela também salva os outros.

A Disney entendeu que os tempos e a sociedade mudaram. Com suas histórias, ela tem a oportunidade de ser um importante suporte para que esses avanços se consolidem nas novas gerações.

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